quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Estácio promove lançamento de livro de crônicas políticas


Foto: Vinicius Rocha



Na última quinta-feira, dia 16 de setembro, a Estácio promoveu o lançamento do livro "Corra que a política vem aí", de autoria do jornalista Leandro Mazzini. O evento, que consistiu em um palestra, seguida de uma rodada de perguntas, contou com a participação de alunos e professores, nos turnos da manhã e da noite.

Leandro pode ser considerado um dos novos nomes do jornalismo político da atualidade. Sua carreira teve início no antigo Jornal do Brasil impresso. Hoje, aos 33 anos, reside em Brasília, onde assina uma coluna no novo "JB Online" e apresenta o programa "Tribuna Independente", da Rede Vida de Televisão.

Durante a palestra, o autor reforçou o tom de crítica de seu livro que, no entanto, não abre mão do bom-humor. Para Leandro, a maior lição aprendida com a política é de que o "poder é efêmero, até mesmo no papel". O jornalista também foi taxativo ao questionar a espécie de censura promovida pelos governantes. "Estamos passando por um momento de chavismo crescente no país. O Poder quer calar a imprensa", critica. O escritor, no entato, entretanto, não se considera pessimista e vê a profissão de forma satisfatória. "Sou realista. O profissional tem que ter muita garra e auto-estima, diariamente", opina. A valorização do ofíciio de jjornalismo não impediu o convidado de falar sobres os erros cometidos na profissão: " Para mim, o maior erro do repórter é ser inquisidor e preconceituoso", acrescenta.

Leandro relata que o livro pretende mostrar a realidade política, de forma fictícia. "Não quis fulanizar ninguém", conta. O jornalista, que ficou mais de 10 anos sem votar, conta sobre a decepção de transferir seu domicílio eleitoral para a capital do país e confiar seu voto em José Roberto Arruda, ex-governador do DF, recentemente acusado de envolvimento em um escândalo de corrupção. "Realmente acreditei que ele era um político diferente", desabafa.

O autor também falou um pouco sobre as novas tendências da comunicação Para ele, a convergência, que chegou para ficar, tem transformado a mídia, sobretudo a imprensa. "O jornalista da atualidade não pode subestimar as fontes fornecidas pelas rede. A internet, nos dias atuais, norteia toda a pauta dos meios de comunicação. O repórter de hoje precisa ser, portanto, multitarefas", diz. Leandro dá destaque ao fenômeno da web 2.0, que coloca o leitor como personagem ativo no processo de produção jornalística. "O Twitter é exemplo de ferramenta que aumentou essa interatividade e se tornou um grande meio de comunicação social", observa.

Ainda falando sobre as novas tendências digitais para o jornalismo, o autor citou o "Jornal do Brasil", que, recentemente, deixou de veicular sua versão impressa e passou a publicar seu conteúdo somente na internet. "Não é novidade. O JB migrou para o formato digital em decorrência de uma crise financeira, mas também porque teve a visão de que as coisas estão mudando muito rapidamente. Na primeira semana de mudança, o acessos ao "JB digital" foram muitos. Acredito que todos os impressos ainda vão mudar para essa plataforma. ", diz. Para o escritor, a leitura digital e o acesso á informação tem se tornado cada vez mais popular.

A rodada de perguntas que se seguiu à palestra proporcionou um debate movimentado. Para Gilvan Araújo, um dos professores da instituição que compareceram à palestra, a corrupção que assola o meio político também se encontra infiltrada dentro da própria sociedade. "É facil acusar o outro, como forma de relevar a própria corrupção", critica. O professor aproveitou a oportunidade de discussão para perguntar ao palestrante sobre as consequências sofridas pelo receptor com o fim do modelo impresso do Jornal do Brasil, considerando a existência de períodicos como o "Super", vendidos por preços baixos e o acesso à internet restrito a uma pequena parcela da população brasileira.

Para o escritor, o Brasil, tem, de fato, muito pouco acesso à informação. "A inclusão digital é necessária no país. A questão extrapola a mera discussão sobre o conceito de mídia. É, também, política e economica", explica. Sobre a corrupção, Leandro é taxativo sobre a necessidade de assumir os erro pelas más escolhas de candidatos. "É preciso que haja um constante aperfeiçoamento cultural, anulando-se a valorização das práticas criminosas", ressalta.

O desembargador e aluno do 8º período de jornalismo Wanderley Paiva aproveitou a oportunidade para criticar o posicionamento dos tribunais superiores. "Eles têm legislado, o que não deveria acontecer. É preciso uma mudança total na consciência, pois os verdadeiros bandidos deste país são os 'engravatados' de Brasília", desabafa. O aluno também perguntou a opinião do convidado sobre a adoção do voto distrital.

Leandro defendeu o fim da lista tríplice, aprovada pelo presidente da república, que indica aqueles os futuros integrantes do STJ. Segundo ele, deve existir um conselho para a escolha dos ministros do órgão. O jornalista também se mostrou favoravel á adoção do voto distrital. "Minas, por exemplo, é um país. É preciso observar essas particularidades e dimensões geográficas para corrigir imperfeições", acrescenta

Ainda durante a rodada de perguntas, Dani Starling, também aluno do 8º aluno de jornalismo, afirmou existir, atualmente, uma "polarização política" entre os profissionais do jornalismo.

Para Leandro, a posição do aluno está equivocada, pois os grandes colunistas políticos não costumam "tomar partido" dos candidatos "Não existem facções políticas na imprensa. Existem convicções, mas, pessoalmente, tenta-se passar os prós e os contras de todas as linhas partidárias de forma mais clara possível", justifica.

O autor não deixou de dar sua opinião sobre o governo Lula, que, segundo ele, teve erros e acertos. "Ele é muito esperto, um do maiores pensadores políticos da atualidade. Fez muita coisa boa pro país, mas acha que tudo que a imprensa critica é perseguição política. Eles e os defensores do partido acabam tomando uma parte pelo todo e acusando os outros de serem golpistas ou de 'tucaninhos'. Até mesmo eu, que sou apartidário, já passei por isso", reclama.

Clique no player para ouvir a versão em áudio da matéria e uma entrevista exclusiva com Leandro Mazzini



Clique no player para ouvir "Boletim Médico", uma das crônicas de Leandro Mazzini publicadas no livro "Corra que a política vem ai'"




quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Rede Bandeirantes abre ciclo de debates com candidatos à presidência


Foto: R7.com


Dilma Roussef, Marina Silva e José Serra, cumprindo suas agendas eleitorais

A Rede Bandeirantes promove, hoje à noite, o primeiro debate com candidatos à presidência para as eleições deste ano. O programa é o primeiro de uma série encontros promovidos pelos canais de TV brasileiros, dentre eles Globo, Record e Rede TV!

A realização de debates tornou-se uma tradição brasileira, sobretudo nas disputas para o mais alto cargo do Poder Executivo no país. O ano de 1989 ficou marcado pela transmissão dos primeiros encontros entre candidatos à presidência, pela TV e, também, pela primeira acusação de favorecimento editorial nesse tipo de programa. No segundo turno das eleições, o histórico debate entre Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva, promovido pela Rede Globo, foi alvo de duras críticas no que se refere aos recursos de edição, iluminação e enquadramento utilizados. 20 anos depois, a lição pareceu ter sido aprendida pelas grandes emissoras. Os pleitos de 1994 e 1998, 2002 e 2006 não registraram incidentes mais graves.

Para o professor Pablo Melo, de 30 anos, a falta de isenção durante o debate entre entre Lula e Collor, nas primeiras eleições diretas pós-ditadura, foi um caso isolado. "Naquelas eleições houve de tudo: debates super autênticos, como os da Band e aquela palhaçada da Globo", critica.

Segundo ele, os programas atuais debates atuais pecam, na verdade, pela falta de autencidade. "Hoje a coisa ficou meio robótica, com cara de entrevista. Preferiria algo mais solto, com mais confronto entre os candidatos", sugere.

O encontro entre os presidenciáveis está marcado para as 22h, com duração aproximada de 2 horas. O programa, apresentado pelo jornalista Carlos Boechat, contará com cinco blocos. Os candidatos convidados responderão a perguntas feitas por outros jornalistas e também pelos adversarios.

Assista também

Trecho do debate da Rede Globo entre os candidatos Fernando Collor de Melo (Prona) e Luiz Inácio "Lula" da Silva (PT), durante as eleições de 1989



Debate da Rede Globo entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e José Alckmin, (PSDB) durante as eleições de 2006



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segunda-feira, 14 de junho de 2010

A Copa da desconfiança



Chega a Copa do Mundo e o brasileiro se enche de orgulho, tira do armário a camisa oficial, compra cornetas e se enfeita com adereços verde-amarelos. Em 2010, a torcida parece estar mobilizada para a estreia do Brasil nos jogos da Africa do Sul, mas muitos demonstram certa falta de esperança com a seleção do técnico Dunga.


Foto: Vinicius Rocha


Esse é o caso da corretora de imóveis, Daniela Freitas, de 31 anos e do marido Daniel Guedes, economista, de 35 anos. Para Daniela, as expectativas da copa não poderiam ser piores. “Acho que essa seleção não vai muito para frente”, opina. A entrevistada torce para a classificação do time, mas acredita que sua a opinião não será alterada durante os jogos, em decorrência da decepção sofrida durante a copa de 94. “ Se acontecer a classificação, vai ser bom porque garante uma cervejinha a mais, mas foi-se o tempo em que eu torcia, ainda mais depois do jogo comprado contra a França. Futebol, hoje em dia, é uma máfia, é marketing. Fico com medo de me entregar”, critica.


Daniel confessa o desânimo com a competição e assume a preferência pelas comemorações. “Acompanho os jogos quando possível, mas não estou tão empolgado quanto nas outras copas. Não importa se o Brasil ganhar ou perder. O que vale pra mim é a festa”, diz. Para o entrevistado, o time brasileiro pode até se classificar para as próximas etapas, mas, provavelmente, não ganhará a competição. “A seleção não está me convencendo”, acrescenta.

A auxiliar pedagógica Angélica Caldeira, de 30 anos, também declara sua desmotivação com os jogos deste ano. Para ela, o país perde com a copa, na medida em que deixa de investir em setores importantes, como o da educação. “Não deixo de torcer na hora dos jogos da seleção, mas não levo muito à serio. Evito até sair para a rua, porque acho que o brasileiro não sabe comemorar de forma responsável e sádia, sem que prejudique os outros”, opina.

Antônio Cardoso, de 36 anos, auxiliar administrativo, está esperançoso com a vitória da seleção brasileira, mas não muito empolgado com a competição. “Falta incentivo, mais propaganda e animação da mídia. Na copa anterior, as pessoas estavam mais mobilizadas”, comenta.

Gabriel Cardoso, administrador de redes, de 20 anos, é o exemplo do torcedor otimista. Durante a copa, o entrevistado acompanha todos os jogos das seleções mais fortes e sempre torce a favor do Brasil. “Assisto os jogos com amigos em barzinhos ou vou a churrascos”, diz. Para Gabriel, a “seleção canarinho” será a vencedora da copa de 2010. “Somos o país do futebol. A copa é algo diferente, que não acontece todo dia. É um motivo para ir para a rua, celebrar, beber e se divertir”, conta.

O estudante de 11 anos, Ricardo Henrique Valente também não esconde a confiança incondicional na seleção verde-amarela. “Estou muito animado. Já faz muito tempo que não acontece uma copa. Quando eu era mais novo, eu não gostava de futebol, mas agora vou torcer muito. A escalação do Dunga não foi das melhores, mas vamos ganhar”, declara.

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►Copa do Mundo faz comércio e empresas alterarem horários de trabalho durante a competição (Por Kyra Benício)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Servidores do Judiciário reivindicam direitos previstos em lei e reajuste salarial


Foto: Vinicius Rocha


A cerimônia de posse dos novos desembargadores e instalação de mais duas câmaras criminais do Tribunal de Justiça também foi estrategicamente aproveitada pelos servidores públicos do Estado, que se reuniram na escadaria do fórum Lafayette, na última quinta-feira, para uma manifestação por melhores condições salariais.

Vestindo camisas pretas, amarelas e laranjas e levantando bandeiras com os dizerem “Luto por Justiça”, os manifestantes ouviram os representantes dos três sindicatos da categoria, com a ajuda de um sistema de som e microfones. No mesmo local, foi montada um “stand” para a distribuição de material para organização do protesto.

Foto: Vinicius Rocha

"As leis aprovadas pela Assembléia Legislativa, que dizem respeito aos direitos dos servidores, não têm sido cumpridas"

Cláudio Martins, presidente do Sindicato dos Oficiais de Justiça Avaliadores do Estado de Minas Gerais

Segundo Cláudio Martins, presidente do Sindicato dos Oficiais de Justiça Avaliadores do Estado de Minas Gerais (Sindojus/MG), a manifestação é um verdadeiro ato de repúdio ao tratamento recebido do Tribunal de Justiça. “É uma aberração. As leis aprovadas pela Assembléia Legislativa, que dizem respeito aos direitos dos servidores, não têm sido cumpridas. O nosso plano de carreira também tem sido desrespeitado. Servidores são promovidos, mas sem reposicionamento nos devidos padrões e pagamento retroativo”, critica.

Wagner de Jesus, diretor do Sindicato dos Servidores da Justiça de 2ª Instância do Estado de Minas Gerais (Sinjus/MG), acrescenta que a mobilização não pretende somente reivindicar direitos da categoria, mas também conseguir uma reposição salarial de cerca 10%. “Todas as outras carreiras do serviço público estadual receberam essa recomposição no início do ano, exceto o Poder Judiciário. Este movimento é fundamental e o nosso papel é o de organizar e prosseguir com a luta”, diz.

A escolha do dia da manifestação não foi aleatória. A data coincidiu com a solenidade que empossou oito desembargadores e a criou a 6ª e 7ª câmaras criminais do Tribunal de Justiça do Estado, em cumprimento à Lei Estadual 105/2008. Sandra Sivestrine, presidente do Sindicato dos Servidores da Justiça de 1ª Instância do Estado de Minas Gerais (Serjusmig), conta que a mesma legislação também prevê dois direitos dos servidores: a gratificação por atividade de chefia para os escrivães e contadores e a exigência de bacharelado em Direito para os oficiais de justiça. “O tribunal tem desconsiderado os dois artigos que dizem respeito ao servidor. A única disposição acatada de imediato é a que atende o interesse da cúpula do tribunal. Optamos vir aqui hoje para mostrar que nossos direitos não estão sendo respeitados”, explica.

No dia 02 de junho, data da posse do novo presidente do Tribunal de Justiça, associados dos três sindicatos que integram o movimento reúnem-se em frente ao Fórum para mais uma manifestação.

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Tribunal de Justiça realiza solenidade de posse de novos desembargadores (Por Gerson Parreiras)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Jovens desejam mudança mas preferem não votar





Foto: Vinicius Rocha

Muita esperança é depositada na juventude brasileira, que ainda alimenta os sonhos de um país melhor, livre da corrupção institucionalizada e de injustiças. O desejo de realização dos ideais dessa parcela da população, no entanto, encontra uma barreira na eventual falta de conscientização sobre a importância do voto e da participação política.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a porcentagem de jovens com 16 e 17 anos, que optaram por tirar o título de eleitor no ano de 2010, caiu em 28%. Hoje, o número de eleitores dessa faixa etária não passa dos 2 milhões, enquanto em 2006 quase chegou aos 2,5 milhões.

ESCOLHAS A estudante Ana Luiza Nunes, de 17 anos, exercerá sua cidadania pela primeira vez este ano. Para ela, a participação dos jovens na política é importante para o futuro do Brasil ."Temos consciência de que quem vai comandar o destino do país somos nós. Desde agora, devemos votar para adquirir experiência e, no futuro, conferirmos os resultados obtidos pelos candidatos que elegemos", diz.

Ana Luiza ressalta que, mesmo sem a obrigação de votar, optou por exerceu seu direito para contribuir com mudança. "Acho que os jovens de 16 e 17 anos são capazes de votar de forma consciente, mas vou ter que esperar prar ver as consequências políticas da minha decisão", observa. Ela, no entanto, caracteriza como "esquisita" a atual situação política no país. "A atuação dos candidatos fica bem abaixo das expectativas quando eles são eleitos. As pretensões são bem diferentes quando eles estão comando", reflete.

Bruna Alves, também de 17 anos, não seguirá o exemplo da colega . Com dúvidas se gostaria de votar nas próximas eleições, a estudante perdeu o prazo até 05 de maio para a expedição do título de eleitor. Segundo ela, a falta de uma maior pesquisa sobre a política também fundamentou a sua decisão. "Não me sinto preparada para escolher alguem que eu não conheço. Queria saber a origem de um candidato para poder votar e ver se ele realmente vai conseguir cumprir seus objetivos. Como não fiz isso, prefiro não me envolver e dar um voto nulo", diz.

Foto: Vinicius Rocha
Bruna e Ana Luiza, representantes de uma juventude que espera por mudanças

Mesmo sem votar este ano, a adolescente espera que as próximas eleições tragam mudanças positivas. "Chega dessa coisa de levar dinheiro na meia, na cueca e ninguém fazer nada. É preciso que as pessoas tomem uma atitude, tenham consciência, pesquisem, e cobrem . Muita gente não lembra nem em quem votou", critica.

Foto: Vinicius Rocha

"Acho que deixar de votar é algo ruim.
Precisamos de alguém para nos representar, para poder fazer alguma diferença".
| Beatriz Macedo, 17 anos |

Dúvida e decepção com a política brasileira também contribuíram para que a jovem Beatriz Macedo, de 17 anos, decidisse não votar em 2010. "A política não me interessa muito porque eu acho que so existe 'roubalheira'. Quando penso no assunto, penso em mensalão, pizza e cassação", confessa. Ainda assim, a estudante defende a importância do voto, apesar de achar que o jovem brasileiro carece de incentivos: É até contraditório, mas eu acho que deixar de votar é algo ruim. Precisamos de alguém para nos representar, para poder fazer alguma diferença", acrescenta.


Beatriz, assim como as outras entrevistadas, ainda vê esperança no futuro político do Brasil, mas somente com a melhoria da situação atual. Para ela, muito precisa ser ainda feito na área da educação e projetos como o Bolsa-Escola não resolvem o problema da aprendizagem. "Gostaria que o país fosse mais justo e tenha menos políticos que não ligam para o que a gente pensa", desabafa.

domingo, 11 de abril de 2010

Cinemas de Belo Horizonte: recordações que constroem a história



Foto: http://www.vmcinebrasil.com.br

A história dos grandes cinemas de Belo Horizonte integra-se com a própria história de Belo Horizonte. Nos dias atuais, espaços como o Cine Brasil cederam lugar às pequenas e inúmeras salas de exibição dos “shopping centers”, mas ainda continuam bastante vivos na lembrança de muitas pessoas.

O primeiro espaço para exibição de filmes na cidade foi o Cine Comércio, na Rua dos Caetés. O cinema, inaugurado em 1909, acompanhava o clima de desenvolvimento da nova arte em outros estados, como Rio de Janeiro. A vida cultural de Belo Horizonte, a partir daí, estabeleceria uma relação estreita com a arte cinematográfica. Após as sessões, tornaram-se comuns os passeios descompromissados pelas ruas do centro da capital, hábito que passou a representar a sociabilidade dos belorizontinos.


Foto: http://www.vmcinebrasil.com.br
Na década de 30, o cinema era uma das formas de lazer preferidas dos moradores e visitantes de Belo Horizonte

Com o passar dos anos, o número de cinemas foi aumentando consideravelmente, mas somente em 1932 a capital ganharia uma de suas maiores salas de exibição, o “Cine Theatro Brasil”, que também estaria preparado para receber grandes apresentações de música e teatro. Reconhecido como patrimônio histórico e artístico, após o seu fechamento em 1999, o prédio, localizado na Praça Sete, permaneceu vazio e sujeito à ação do tempo durante quase dez anos.

MEMÓRIAS O Cine Brasil faz parte da história pessoal de muitos moradores da cidade. José Eduardo Lopes, advogado e jornalista de 69 anos, conta que, na década de 50, o cinema também funcionava como um bandejão. “Havia uma guarita. Nós pagávamos um preço muito barato e entravámos pra comer uma refeição de primeiríssima qualidade”, lembra. Ele se recorda da bomboniere do cinema. “O local só era frequentado por pessoas com maior poder aquisitivo, mas eu também visitava pra me fazer de rico”, conta, bem-humorado. O advogado também relata as brincadeiras comuns na juventude, durante as sessões no Cine Brasil. “Quando assistíamos filmes da ‘Paramount’, aparecia uma águia na tela. Ficávamos nos últimos lugares do terceiro andar e antes de ela voar, fazíamos barulho para espantá-la. Todo mundo no cinema gostava”, diz.

Foto: Vinicius Rocha
José Maria Tadeu:
"O Brasil foi o maior e melhor cinema de Belo Horizonte"

O aposentado José Maria Tadeu, de 63 anos, lembra-se, emocionado, da época em que o Cine Brasil ainda era um prestigiado ponto de encontro da cidade. “Quando cheguei em Belo Horizonte em 1959, esse era o maior e melhor cinema da cidade. Eu vinha aqui todo fim de semana pra assistir filmes. Só tenho boas recordações”, conta. Segundo o aposentado, no lugar aconteciam paqueras e encontros amorosos. “Aqui na praça, existia uma passarela. A gente comprava os ingressos e esperava a menina chegar”, relata. José também se recorda do filme que mais lhe marcou: “Europa de noite”. “Era proibido para menores de 18 anos e eu tinha 14. Tentei entrar várias vezes, mas não passava. Quando consegui entrar, foi pra ver um ‘shortinho’ dois dedos acima do joelho”, relembra.

As boas lembranças não são privilégios da população idosa. Cinemas como o Brasil, Paladium, Jacques e Odeon marcaram, por exemplo, a infância do analista de sistema Carlos Eduardo Salgado, de 31 anos, que, desde os 7 anos já assistia sessões com uma tia e, a partir dos 11, passou a ir sozinho. “Tenho saudades dessa época, quando os lanterninhas nos guiavam quando chegávamos atrasados. As grandes salas nos proporcionavam uma sensação diferente das salas de shopping. Era algo mais cultural, com menos interesse na arrecadação”, opina. Movido pelas recordações, Carlos fala sobre o final de uma sessão no Cine Paladium que ficou marcada. “Foi uma das poucas vezes em que vi o público bater palmas em uma sala de cinema”, ressalta.

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