Foto: Vinicius Rocha
Muita esperança é depositada na juventude brasileira, que ainda alimenta os sonhos de um país melhor, livre da corrupção institucionalizada e de injustiças. O desejo de realização dos ideais dessa parcela da população, no entanto, encontra uma barreira na eventual falta de conscientização sobre a importância do voto e da participação política.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a porcentagem de jovens com 16 e 17 anos, que optaram por tirar o título de eleitor no ano de 2010, caiu em 28%. Hoje, o número de eleitores dessa faixa etária não passa dos 2 milhões, enquanto em 2006 quase chegou aos 2,5 milhões.
ESCOLHAS A estudante Ana Luiza Nunes, de 17 anos, exercerá sua cidadania pela primeira vez este ano. Para ela, a participação dos jovens na política é importante para o futuro do Brasil ."Temos consciência de que quem vai comandar o destino do país somos nós. Desde agora, devemos votar para adquirir experiência e, no futuro, conferirmos os resultados obtidos pelos candidatos que elegemos", diz.
Ana Luiza ressalta que, mesmo sem a obrigação de votar, optou por exerceu seu direito para contribuir com mudança. "Acho que os jovens de 16 e 17 anos são capazes de votar de forma consciente, mas vou ter que esperar prar ver as consequências políticas da minha decisão", observa. Ela, no entanto, caracteriza como "esquisita" a atual situação política no país. "A atuação dos candidatos fica bem abaixo das expectativas quando eles são eleitos. As pretensões são bem diferentes quando eles estão comando", reflete.
Bruna Alves, também de 17 anos, não seguirá o exemplo da colega . Com dúvidas se gostaria de votar nas próximas eleições, a estudante perdeu o prazo até 05 de maio para a expedição do título de eleitor. Segundo ela, a falta de uma maior pesquisa sobre a política também fundamentou a sua decisão. "Não me sinto preparada para escolher alguem que eu não conheço. Queria saber a origem de um candidato para poder votar e ver se ele realmente vai conseguir cumprir seus objetivos. Como não fiz isso, prefiro não me envolver e dar um voto nulo", diz.
Foto: Vinicius Rocha
Bruna e Ana Luiza, representantes de uma juventude que espera por mudanças
Mesmo sem votar este ano, a adolescente espera que as próximas eleições tragam mudanças positivas. "Chega dessa coisa de levar dinheiro na meia, na cueca e ninguém fazer nada. É preciso que as pessoas tomem uma atitude, tenham consciência, pesquisem, e cobrem . Muita gente não lembra nem em quem votou", critica.
Foto: Vinicius Rocha
"Acho que deixar de votar é algo ruim.
Precisamos de alguém para nos representar, para poder fazer alguma diferença".
| Beatriz Macedo, 17 anos |
Dúvida e decepção com a política brasileira também contribuíram para que a jovem Beatriz Macedo, de 17 anos, decidisse não votar em 2010. "A política não me interessa muito porque eu acho que so existe 'roubalheira'. Quando penso no assunto, penso em mensalão, pizza e cassação", confessa. Ainda assim, a estudante defende a importância do voto, apesar de achar que o jovem brasileiro carece de incentivos: É até contraditório, mas eu acho que deixar de votar é algo ruim. Precisamos de alguém para nos representar, para poder fazer alguma diferença", acrescenta.
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