Foto: Vinicius Rocha
Leandro pode ser considerado um dos novos nomes do jornalismo político da atualidade. Sua carreira teve início no antigo Jornal do Brasil impresso. Hoje, aos 33 anos, reside em Brasília, onde assina uma coluna no novo "JB Online" e apresenta o programa "Tribuna Independente", da Rede Vida de Televisão.
Durante a palestra, o autor reforçou o tom de crítica de seu livro que, no entanto, não abre mão do bom-humor. Para Leandro, a maior lição aprendida com a política é de que o "poder é efêmero, até mesmo no papel". O jornalista também foi taxativo ao questionar a espécie de censura promovida pelos governantes. "Estamos passando por um momento de chavismo crescente no país. O Poder quer calar a imprensa", critica. O escritor, no entato, entretanto, não se considera pessimista e vê a profissão de forma satisfatória. "Sou realista. O profissional tem que ter muita garra e auto-estima, diariamente", opina. A valorização do ofíciio de jjornalismo não impediu o convidado de falar sobres os erros cometidos na profissão: " Para mim, o maior erro do repórter é ser inquisidor e preconceituoso", acrescenta.
Leandro relata que o livro pretende mostrar a realidade política, de forma fictícia. "Não quis fulanizar ninguém", conta. O jornalista, que ficou mais de 10 anos sem votar, conta sobre a decepção de transferir seu domicílio eleitoral para a capital do país e confiar seu voto em José Roberto Arruda, ex-governador do DF, recentemente acusado de envolvimento em um escândalo de corrupção. "Realmente acreditei que ele era um político diferente", desabafa.
O autor também falou um pouco sobre as novas tendências da comunicação Para ele, a convergência, que chegou para ficar, tem transformado a mídia, sobretudo a imprensa. "O jornalista da atualidade não pode subestimar as fontes fornecidas pelas rede. A internet, nos dias atuais, norteia toda a pauta dos meios de comunicação. O repórter de hoje precisa ser, portanto, multitarefas", diz. Leandro dá destaque ao fenômeno da web 2.0, que coloca o leitor como personagem ativo no processo de produção jornalística. "O Twitter é exemplo de ferramenta que aumentou essa interatividade e se tornou um grande meio de comunicação social", observa.
Ainda falando sobre as novas tendências digitais para o jornalismo, o autor citou o "Jornal do Brasil", que, recentemente, deixou de veicular sua versão impressa e passou a publicar seu conteúdo somente na internet. "Não é novidade. O JB migrou para o formato digital em decorrência de uma crise financeira, mas também porque teve a visão de que as coisas estão mudando muito rapidamente. Na primeira semana de mudança, o acessos ao "JB digital" foram muitos. Acredito que todos os impressos ainda vão mudar para essa plataforma. ", diz. Para o escritor, a leitura digital e o acesso á informação tem se tornado cada vez mais popular.
A rodada de perguntas que se seguiu à palestra proporcionou um debate movimentado. Para Gilvan Araújo, um dos professores da instituição que compareceram à palestra, a corrupção que assola o meio político também se encontra infiltrada dentro da própria sociedade. "É facil acusar o outro, como forma de relevar a própria corrupção", critica. O professor aproveitou a oportunidade de discussão para perguntar ao palestrante sobre as consequências sofridas pelo receptor com o fim do modelo impresso do Jornal do Brasil, considerando a existência de períodicos como o "Super", vendidos por preços baixos e o acesso à internet restrito a uma pequena parcela da população brasileira.
Para o escritor, o Brasil, tem, de fato, muito pouco acesso à informação. "A inclusão digital é necessária no país. A questão extrapola a mera discussão sobre o conceito de mídia. É, também, política e economica", explica. Sobre a corrupção, Leandro é taxativo sobre a necessidade de assumir os erro pelas más escolhas de candidatos. "É preciso que haja um constante aperfeiçoamento cultural, anulando-se a valorização das práticas criminosas", ressalta.
O desembargador e aluno do 8º período de jornalismo Wanderley Paiva aproveitou a oportunidade para criticar o posicionamento dos tribunais superiores. "Eles têm legislado, o que não deveria acontecer. É preciso uma mudança total na consciência, pois os verdadeiros bandidos deste país são os 'engravatados' de Brasília", desabafa. O aluno também perguntou a opinião do convidado sobre a adoção do voto distrital.
Leandro defendeu o fim da lista tríplice, aprovada pelo presidente da república, que indica aqueles os futuros integrantes do STJ. Segundo ele, deve existir um conselho para a escolha dos ministros do órgão. O jornalista também se mostrou favoravel á adoção do voto distrital. "Minas, por exemplo, é um país. É preciso observar essas particularidades e dimensões geográficas para corrigir imperfeições", acrescenta
Ainda durante a rodada de perguntas, Dani Starling, também aluno do 8º aluno de jornalismo, afirmou existir, atualmente, uma "polarização política" entre os profissionais do jornalismo.
Para Leandro, a posição do aluno está equivocada, pois os grandes colunistas políticos não costumam "tomar partido" dos candidatos "Não existem facções políticas na imprensa. Existem convicções, mas, pessoalmente, tenta-se passar os prós e os contras de todas as linhas partidárias de forma mais clara possível", justifica.
O autor não deixou de dar sua opinião sobre o governo Lula, que, segundo ele, teve erros e acertos. "Ele é muito esperto, um do maiores pensadores políticos da atualidade. Fez muita coisa boa pro país, mas acha que tudo que a imprensa critica é perseguição política. Eles e os defensores do partido acabam tomando uma parte pelo todo e acusando os outros de serem golpistas ou de 'tucaninhos'. Até mesmo eu, que sou apartidário, já passei por isso", reclama.
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