segunda-feira, 31 de maio de 2010

Servidores do Judiciário reivindicam direitos previstos em lei e reajuste salarial


Foto: Vinicius Rocha


A cerimônia de posse dos novos desembargadores e instalação de mais duas câmaras criminais do Tribunal de Justiça também foi estrategicamente aproveitada pelos servidores públicos do Estado, que se reuniram na escadaria do fórum Lafayette, na última quinta-feira, para uma manifestação por melhores condições salariais.

Vestindo camisas pretas, amarelas e laranjas e levantando bandeiras com os dizerem “Luto por Justiça”, os manifestantes ouviram os representantes dos três sindicatos da categoria, com a ajuda de um sistema de som e microfones. No mesmo local, foi montada um “stand” para a distribuição de material para organização do protesto.

Foto: Vinicius Rocha

"As leis aprovadas pela Assembléia Legislativa, que dizem respeito aos direitos dos servidores, não têm sido cumpridas"

Cláudio Martins, presidente do Sindicato dos Oficiais de Justiça Avaliadores do Estado de Minas Gerais

Segundo Cláudio Martins, presidente do Sindicato dos Oficiais de Justiça Avaliadores do Estado de Minas Gerais (Sindojus/MG), a manifestação é um verdadeiro ato de repúdio ao tratamento recebido do Tribunal de Justiça. “É uma aberração. As leis aprovadas pela Assembléia Legislativa, que dizem respeito aos direitos dos servidores, não têm sido cumpridas. O nosso plano de carreira também tem sido desrespeitado. Servidores são promovidos, mas sem reposicionamento nos devidos padrões e pagamento retroativo”, critica.

Wagner de Jesus, diretor do Sindicato dos Servidores da Justiça de 2ª Instância do Estado de Minas Gerais (Sinjus/MG), acrescenta que a mobilização não pretende somente reivindicar direitos da categoria, mas também conseguir uma reposição salarial de cerca 10%. “Todas as outras carreiras do serviço público estadual receberam essa recomposição no início do ano, exceto o Poder Judiciário. Este movimento é fundamental e o nosso papel é o de organizar e prosseguir com a luta”, diz.

A escolha do dia da manifestação não foi aleatória. A data coincidiu com a solenidade que empossou oito desembargadores e a criou a 6ª e 7ª câmaras criminais do Tribunal de Justiça do Estado, em cumprimento à Lei Estadual 105/2008. Sandra Sivestrine, presidente do Sindicato dos Servidores da Justiça de 1ª Instância do Estado de Minas Gerais (Serjusmig), conta que a mesma legislação também prevê dois direitos dos servidores: a gratificação por atividade de chefia para os escrivães e contadores e a exigência de bacharelado em Direito para os oficiais de justiça. “O tribunal tem desconsiderado os dois artigos que dizem respeito ao servidor. A única disposição acatada de imediato é a que atende o interesse da cúpula do tribunal. Optamos vir aqui hoje para mostrar que nossos direitos não estão sendo respeitados”, explica.

No dia 02 de junho, data da posse do novo presidente do Tribunal de Justiça, associados dos três sindicatos que integram o movimento reúnem-se em frente ao Fórum para mais uma manifestação.

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Tribunal de Justiça realiza solenidade de posse de novos desembargadores (Por Gerson Parreiras)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Jovens desejam mudança mas preferem não votar





Foto: Vinicius Rocha

Muita esperança é depositada na juventude brasileira, que ainda alimenta os sonhos de um país melhor, livre da corrupção institucionalizada e de injustiças. O desejo de realização dos ideais dessa parcela da população, no entanto, encontra uma barreira na eventual falta de conscientização sobre a importância do voto e da participação política.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a porcentagem de jovens com 16 e 17 anos, que optaram por tirar o título de eleitor no ano de 2010, caiu em 28%. Hoje, o número de eleitores dessa faixa etária não passa dos 2 milhões, enquanto em 2006 quase chegou aos 2,5 milhões.

ESCOLHAS A estudante Ana Luiza Nunes, de 17 anos, exercerá sua cidadania pela primeira vez este ano. Para ela, a participação dos jovens na política é importante para o futuro do Brasil ."Temos consciência de que quem vai comandar o destino do país somos nós. Desde agora, devemos votar para adquirir experiência e, no futuro, conferirmos os resultados obtidos pelos candidatos que elegemos", diz.

Ana Luiza ressalta que, mesmo sem a obrigação de votar, optou por exerceu seu direito para contribuir com mudança. "Acho que os jovens de 16 e 17 anos são capazes de votar de forma consciente, mas vou ter que esperar prar ver as consequências políticas da minha decisão", observa. Ela, no entanto, caracteriza como "esquisita" a atual situação política no país. "A atuação dos candidatos fica bem abaixo das expectativas quando eles são eleitos. As pretensões são bem diferentes quando eles estão comando", reflete.

Bruna Alves, também de 17 anos, não seguirá o exemplo da colega . Com dúvidas se gostaria de votar nas próximas eleições, a estudante perdeu o prazo até 05 de maio para a expedição do título de eleitor. Segundo ela, a falta de uma maior pesquisa sobre a política também fundamentou a sua decisão. "Não me sinto preparada para escolher alguem que eu não conheço. Queria saber a origem de um candidato para poder votar e ver se ele realmente vai conseguir cumprir seus objetivos. Como não fiz isso, prefiro não me envolver e dar um voto nulo", diz.

Foto: Vinicius Rocha
Bruna e Ana Luiza, representantes de uma juventude que espera por mudanças

Mesmo sem votar este ano, a adolescente espera que as próximas eleições tragam mudanças positivas. "Chega dessa coisa de levar dinheiro na meia, na cueca e ninguém fazer nada. É preciso que as pessoas tomem uma atitude, tenham consciência, pesquisem, e cobrem . Muita gente não lembra nem em quem votou", critica.

Foto: Vinicius Rocha

"Acho que deixar de votar é algo ruim.
Precisamos de alguém para nos representar, para poder fazer alguma diferença".
| Beatriz Macedo, 17 anos |

Dúvida e decepção com a política brasileira também contribuíram para que a jovem Beatriz Macedo, de 17 anos, decidisse não votar em 2010. "A política não me interessa muito porque eu acho que so existe 'roubalheira'. Quando penso no assunto, penso em mensalão, pizza e cassação", confessa. Ainda assim, a estudante defende a importância do voto, apesar de achar que o jovem brasileiro carece de incentivos: É até contraditório, mas eu acho que deixar de votar é algo ruim. Precisamos de alguém para nos representar, para poder fazer alguma diferença", acrescenta.


Beatriz, assim como as outras entrevistadas, ainda vê esperança no futuro político do Brasil, mas somente com a melhoria da situação atual. Para ela, muito precisa ser ainda feito na área da educação e projetos como o Bolsa-Escola não resolvem o problema da aprendizagem. "Gostaria que o país fosse mais justo e tenha menos políticos que não ligam para o que a gente pensa", desabafa.