segunda-feira, 14 de junho de 2010

A Copa da desconfiança



Chega a Copa do Mundo e o brasileiro se enche de orgulho, tira do armário a camisa oficial, compra cornetas e se enfeita com adereços verde-amarelos. Em 2010, a torcida parece estar mobilizada para a estreia do Brasil nos jogos da Africa do Sul, mas muitos demonstram certa falta de esperança com a seleção do técnico Dunga.


Foto: Vinicius Rocha


Esse é o caso da corretora de imóveis, Daniela Freitas, de 31 anos e do marido Daniel Guedes, economista, de 35 anos. Para Daniela, as expectativas da copa não poderiam ser piores. “Acho que essa seleção não vai muito para frente”, opina. A entrevistada torce para a classificação do time, mas acredita que sua a opinião não será alterada durante os jogos, em decorrência da decepção sofrida durante a copa de 94. “ Se acontecer a classificação, vai ser bom porque garante uma cervejinha a mais, mas foi-se o tempo em que eu torcia, ainda mais depois do jogo comprado contra a França. Futebol, hoje em dia, é uma máfia, é marketing. Fico com medo de me entregar”, critica.


Daniel confessa o desânimo com a competição e assume a preferência pelas comemorações. “Acompanho os jogos quando possível, mas não estou tão empolgado quanto nas outras copas. Não importa se o Brasil ganhar ou perder. O que vale pra mim é a festa”, diz. Para o entrevistado, o time brasileiro pode até se classificar para as próximas etapas, mas, provavelmente, não ganhará a competição. “A seleção não está me convencendo”, acrescenta.

A auxiliar pedagógica Angélica Caldeira, de 30 anos, também declara sua desmotivação com os jogos deste ano. Para ela, o país perde com a copa, na medida em que deixa de investir em setores importantes, como o da educação. “Não deixo de torcer na hora dos jogos da seleção, mas não levo muito à serio. Evito até sair para a rua, porque acho que o brasileiro não sabe comemorar de forma responsável e sádia, sem que prejudique os outros”, opina.

Antônio Cardoso, de 36 anos, auxiliar administrativo, está esperançoso com a vitória da seleção brasileira, mas não muito empolgado com a competição. “Falta incentivo, mais propaganda e animação da mídia. Na copa anterior, as pessoas estavam mais mobilizadas”, comenta.

Gabriel Cardoso, administrador de redes, de 20 anos, é o exemplo do torcedor otimista. Durante a copa, o entrevistado acompanha todos os jogos das seleções mais fortes e sempre torce a favor do Brasil. “Assisto os jogos com amigos em barzinhos ou vou a churrascos”, diz. Para Gabriel, a “seleção canarinho” será a vencedora da copa de 2010. “Somos o país do futebol. A copa é algo diferente, que não acontece todo dia. É um motivo para ir para a rua, celebrar, beber e se divertir”, conta.

O estudante de 11 anos, Ricardo Henrique Valente também não esconde a confiança incondicional na seleção verde-amarela. “Estou muito animado. Já faz muito tempo que não acontece uma copa. Quando eu era mais novo, eu não gostava de futebol, mas agora vou torcer muito. A escalação do Dunga não foi das melhores, mas vamos ganhar”, declara.

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